Pós Produção e Edição na Fotografia de Arquitetura e Interiores

Pós Produção e Edição na Fotografia de Arquitetura e Interiores

Pós Produção e Edição na Fotografia de Arquitetura e Interiores 1200 810 Julia Novoa
Foto com entrada de luz natural e desfoque de fundo

Com o aumento do uso das redes sociais, a fotografia vem sendo uma importante ferramenta de divulgação dos trabalhos de arquitetura, servindo como um portfólio acessível e prático para o conhecimento de seus trabalhos. Hoje mais pessoas buscam esses projetos nas mídias digitais pela praticidade que podem ser encontrados, muito mais que a busca em revistas, por exemplo.

A facilidade de encontrar esses projetos, bem como absorver uma maior quantidade de informações pela forma que o conteúdo está disposto e organizado, torna essa ferramenta indispensável para sua divulgação. O acesso é imprescindível quando se fala de agilidade na busca por referências.

Para que haja uma boa foto para ser usada neste formato de portfólio digital, existe um processo que vai muito além do que apenas fotografar um ambiente: A produção do cenário/espaço, a sessão/diária de foto na locação, a busca pelos melhores ângulos e iluminação do espaço e posteriormente a seleção e o tratamento das imagens a serem entregues.

Para este processo, destacamos nesse texto como funciona esse cuidado na manipulação, edição e tratamento de imagens da fotografia de arquitetura e interiores.

Produção de Cenário/Espaço

Além de todo o cuidado com a luz, os melhores ângulos, uso do tripé e configurações da câmera, existe uma parte muito importante na composição da foto: a produção de cenário/espaço. Itens decorativos agregam muito no resultado da foto, ajudando a passar a sensação de harmonia e conforto do ambiente, podendo dar um tom específico para aquela foto.

Esses itens podem ser desde almofadas, mantas, tapetes, quadros, toalhas de mesa e o que quer que seja útil ou possa trazer adicionar na temática do espaço. Na fotografia de arquitetura, menos é mais. É possível fazer melhores fotos com menos elementos do que com excesso deles. Existe também a possibilidade de fazer parcerias com lojas de decoração e outras da mesma categoria, assim como contratar produtores de cenário que são especializados nesse tipo de serviço: eles fazem visita técnica, resolvem os objetos e os devolvem às lojas. Esse serviço é cobrado a parte no valor do orçamento.

Usando diferentes filtros é possível a seleção de imagens através do programa Lightroom

Seleção e Tratamento de Fotos

Após uma sessão fotográfica, o próximo passo é selecionar as melhores fotos dentre as muitas tiradas naquele dia. Algumas diárias de fotos chegam a gerar mais de 400/500 clicks e com isso é necessária uma boa seleção.

Muitos fotógrafos precificam o trabalho de acordo com a quantidade de fotos escolhidas para o tratamento, ou seja, não são todas as fotos que serão editadas, tratadas e enviadas, mas sim as pré-determinadas pelo fotógrafo e depois pelo cliente. Existem diversas formas de cobrar pelo trabalho: por quantidade de fotos editadas, por metros quadrados e ambientes fotografados, por diária e por tempo de trabalho. Cada profissional trabalha da forma que funciona melhor pra seu determinado perfil.

Para o momento da edição, não existe uma fórmula que funcione igual para todas as fotos. Pequenos ajustes como aumento da exposição e do contraste podem ser suficientes para determinadas fotos.   Para outras, é preciso ajustes como a correção de uma perspectiva ou edições como a remoção ou adição de elementos que faltaram no dia da sessão ou que estavam em excesso, atrapalhando na harmonia da imagem final. Para esse tipo de edição geralmente é cobrado um valor a mais de edição, pois o tempo gasto para esse fim é maior.

Antes do tratamento

Depois do tratamento

Luz, Contrastes e Configurações

Assim como sabemos que a luz do dia interfere totalmente no resultado da fotografia, ao contrário do que muitos imaginam, dias nublados podem contribuir positivamente para este resultado. Isso acontece, pois, a imagem fica mais homogênea e com menos distorções para serem equilibradas na hora da edição.

O uso do tripé pode ser determinante na qualidade de fotos que necessitem uma menor abertura do diafragma. Isso significa que a foto fica mais nítida, nivelada e enquadrada para uma melhor percepção daquele ambiente. O uso do flash pode ou não ser utilizado na sessão e depende mais do objetivo do fotógrafo e também do tipo de ambiente – se requer ou não seu uso.

Diferente do olho humano, a câmera não difere o ambiente interno do externo de forma homogênea, e por esse motivo adaptamos as configurações de exposição e melhoramos todos os detalhes na pós produção e edição da foto.

Para cada ambiente e ângulo a ser fotografado, é necessária uma configuração específica da câmera para que o resultado fique o mais próximo possível do que o fotógrafo está vendo e deseja mostrar, potencializando detalhes que já existam ou que fiquem mais evidentes com essa configuração. O tratamento após a sessão segue o mesmo caminho: potencializar e evidenciar detalhes, e o que há de mais harmônico a ser mostrado.

Antes do tratamento

Depois do tratamento

Edição na Fotografia

Para que uma foto consiga entregar ao espectador a mesma sensação que o fotógrafo teve ao tirá-la, muitas vezes apenas a foto tirada no momento não é o suficiente. Para que essa sensação seja transmitida, muito – ou quase tudo – acontece no momento pós sessão de fotos: a edição e pós produção das imagens.

Esse cuidado após a sessão fotográfica é o que pode ou não passar o sentimento, a sensação e a expectativa que o espectador espera – e que o fotógrafo deseja passar. Com a imagem adequada, é possível que qualquer um navegue no mesmo ambiente em que a foto foi tirada, sem ao menos imaginar que ali houve uma edição e um tratamento na imagem.

Antes do tratamento

Depois do tratamento

Portanto, muito do que se vê hoje em dia na mídia em relação à fotografia de arquitetura e interiores, teve alteração, edição e tratamento na imagem, apesar disso não ser notado ou percebido em grande parte das pessoas. A finalidade do fotógrafo ao fazer essas alterações é traduzir a imagem para algo que seja identificado ou percebido como estético, organizado, coerente com a proposta e o estilo de fotografia do fotógrafo e a otimização de espaços e ambientes. Para o espectador, no entanto, tudo isso consegue ser traduzido em sensações e identificações inconscientes de imagens estéticas e bem resolvidas.

Vivian Masson

Formada em Publicidade pela PUC-SP, Vivian Masson consolidou seu experiência como redatora e produtora cultural, trabalhando com cinema, artes visuais e mais tarde com produção musical. A estética e a harmonia sempre buscaram espaço em suas pesquisas, interesses e forma de ver o mundo. Na escrita, não foi diferente, tudo que é possível harmonizar faz parte de seu trabalho como redatora. Portanto, Vivian é nossa colaboradora responsável pela escrita e tom do site.

Abrir Chat
Olá, como posso ajudar?